Por Thayane Domingos 

O dia 1° de dezembro é marcado como o Dia Mundial de Combate à AIDS. Essa data foi instituída no dia 27 de outubro de 1988, pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas e pela Organização Mundial de Saúde, com o objetivo de reforçar para as pessoas a importância da luta contra a Aids e o HIV, e tentar acabar com o preconceito que muitos ainda têm com a doença.

AIDS é uma sigla em inglês (Acquired Immunodeficiency Syndrome) para Síndrome da Imunodeficiência Adquirida, uma doença causada pela infecção do vírus da imunodeficiência humana, o HIV, na sigla em inglês. Quem vive com o HIV pode não ter AIDS, pois uma não é sinônimo da outra. O HIV é a presença do vírus da imunodeficiência humana no indivíduo e a AIDS é quando a pessoa tem o vírus do HIV, e as suas células de defesa, CD4, estão em índices menores que 200. Como são conceitos diferentes, hoje em dia, o correto é dizer “pessoa vivendo com HIV”.

ESTIGMAS E PRECONCEITOS  

Nos anos 80, a AIDS era uma palavra maldita. Chamada de câncer gay ou câncer cor de rosa, a doença carregava em si um estigma negativo e era sinônimo de morte, de sofrimento ou de falta de moral, dada por uma vida sexual desregrada.

O Boletim Epidemiológico de HIV/AIDS do Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis, da Secretária de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, divulgado dezembro de 2019, demonstra que a AIDS, no Brasil, apesar de ter sua recorrência em grupos vulneráveis, está presente em maior número na população heterossexual. 

Do sexo masculino, 88.426 infectados são homossexuais, 16.588 são bissexuais e 64.390 são heterossexuais. Do sexo feminino, 79.116 são heterossexuais. Ao total, no período de registro oficial, entre 2007 e 2019, 248.520 brasileiros foram infectados. Desses, 105.014 dos que contraíram HIV através do sexo são HSH (homens que fazem sexo com homens) e 143.506 são heterossexuais. Em proporção, 57,74% dos heterossexuais contraíram HIV através de relações sexuais. 

Ainda que uma parte da sociedade não tenha muito conhecimento sobre a doença, hoje ela é mais comentada, menos hostilizada, como afirma o infectologista, Dr. Fellipe Julião.

“Acho que mudou infinitamente, evoluiu bastante. Ainda sendo uma doença sobre a qual grande parte da sociedade não tenha muito conhecimento, mas é uma doença hoje menos hostilizada, é uma doença que ainda é um tanto quanto marginalizada do ponto de vista social, mas não é negligenciada, os serviços de saúde hoje contam um trabalho de excelência, de primeiro mundo e, o mais importante, gratuito”, diz.

SINTOMAS DA DOENÇA

Há uma janela de tempo entre a exposição ao vírus até o surgimento dos primeiros sintomas. No período de 30 a 60 dias, que é chamado de incubação, a infecção começa a produzir corpos anti-HIV. Nesse momento, os primeiros sintomas são parecidos com de uma gripe, mas podem surgir outros sinais:

  • Dores nas articulações;
  • Febre;
  • Dor de garganta;
  • Feridas e manchas pelo corpo;
  • Corrimentos frequentes nas partes genitais;
  • Aftas;
  • Inchaço nas axilas, virilhas e pescoço.

TRATAMENTO

Hoje em dia, a medicina evoluiu bastante, e o tratamento para a doença ficou mais fácil e acessível. Graças ao Sistema Único de Saúde (SUS), as pessoas conseguem o tratamento com medicações regulares e acompanhamento com infectologistas. Esse tratamento dura a vida toda, e é usado para crianças e adultos. O efeito colateral vai variar de paciente para paciente. 

DESINFORMAÇÃO PREJUDICA 

Infelizmente, acabar com as fakes news é um desafio. Muitas pessoas passam qualquer tipo de informação em redes sociais sem ao menos verificar a veracidade da notícia. Os conceitos de AIDS e HIV são diferentes e muitas pessoas ainda não sabem disso, por exemplo.

A doença não é mais limitante como antes, e as pessoas conseguem viver normalmente. A contaminação não acontece se você se sentar no mesmo lugar que uma pessoa que vive com o vírus. Ainda assim, existem  muitas informações erradas. Para o infectologista Dr. Fellipe Julião, a falta informação prejudica muito.

“Existem pessoas que sim, dão informações corretas, e existe muita desinformação também. O perigo disso é que ainda têm pessoas que acreditam que o HIV é uma condição limitante, que é uma doença que vai deixar o paciente debilitado pelo resto da vida e muitas pessoas acreditam que essa é uma doença que vai deixar o paciente até em condições de óbito. Hoje em dia, o HIV tem uma terapia muito eficaz, e que permite que as pessoas tenham uma qualidade de vida muito boa. Ou seja, as fake news desencorajam as pessoas a procurarem tratamento, desencorajam as pessoas a procurarem maior qualidade de vida, desencorajam as pessoas a procurarem novas informações”, relata o médico.

Para mais informações sobre a doença, acesse http://www.aids.gov.br/pt-br

HIV E AIDS EM PODCASTS

Visando contribuir para uma informação de qualidade sobre a AIDS e o HIV, a CACAU – Comunidade de Aprendizagem em Comunicação e Audiovisual do UniBH produziu uma série de podcasts sobre o tema: