Por Isabela Santana

O bairro Buritis, que fica na região Oeste de Belo Horizonte, recebe o projeto Mapa Sonoro, idealizado pelo curso de Música e Gestão de Carreira do UniBH. O projeto de extensão tem como objetivo inicial mapear o ecossistema musical do bairro. Esse ecossistema pode ser compreendido como todas as pessoas e organizações que estão envolvidas com o fazer musical de alguma maneira. 

De forma abrangente, o ecossistema musical pode ter músicos profissionais, amadores, casas noturnas com música ao vivo, escolas de música, estúdios de gravação e ensaio, e comércios e serviços relacionados à produção musical, podendo também incluir o público que patrocina, apoia e consome música.

Joana Boechat, professora do curso de Música e Gestão de Carreira do UniBH e fundadora da empresa Battito Música e Desenvolvimento, é uma das coordenadoras do projeto. Joana contou que o Mapa Sonoro irá mapear apenas alguns desses agentes, como músicos, profissionais amadores, escolas, estúdios, lojas e restaurantes com música ao vivo. 

O primeiro passo do projeto é compreender o ecossistema musical do bairro. Para isso, foi criado um questionário para pessoas que moram, estudam ou trabalham no Buritis, assim como alunos do curso de música do UniBH ou de outros cursos que também estão ligados à música de alguma forma. A intenção é que esse questionário chegue ao maior número de pessoas possível para uma pesquisa mais completa. O cadastro é voluntário e através deste questionário será gerado o mapa.

De acordo com a professora, o mapa servirá para que possam ser feitas outras propostas a partir do próximo semestre. Propostas de projetos musicais que vão movimentar e vitalizar esse ecossistema musical, trazendo essas pessoas para dentro do campus e mostrando o curso. A finalidade desse projeto de extensão é trazer uma melhor integração com a comunidade do bairro Buritis.

“Todos que possuem algum envolvimento com a música, na comunidade do Buritis, serão beneficiados. Os músicos, sejam eles profissionais, amadores ou estudantes, além de compartilharem aprendizados, passarão a integrar uma rede que tem um potencial para gerar novos projetos. Ao mesmo tempo, essa rede irá mostrar espaços de música ao vivo do bairro que podem ser possíveis contratantes para os músicos profissionais, por exemplo. Automaticamente, beneficiando também a rede do público que consome música”, afirmou Joana.

Yuri Fandangos, músico e produtor da Sala do Fan, um home studio no Buritis voltado para produção audiovisual direcionada à músicos, é um dos moradores do bairro que já fazem parte do Mapa Sonoro. 

“Achei a ideia do mapeamento musical no bairro uma ideia excelente, é uma iniciativa que abre portas para nos fortalecer como classe, estabelecer parcerias, projetos coletivos e criar um uma cultura musical melhor dentro do bairro. Espero que com um curso de música no bairro, movimentos como esse sejam cada dia mais comuns”, disse Yuri.

Rayssa Nara, musicista e aluna do curso de Música Popular e Gestão de Carreira, é uma das participantes do Mapa Sonoro. Em entrevista, Rayssa contou como tem sido fazer parte do projeto e que acredita que ele possa se estender para outros bairros.

Ian Veiga, proprietário da loja de instrumentos musicais Solsete Musical, no Buritis, acredita que o projeto também será bom para os comerciantes locais.

“O Mapa Sonoro é inovador e fundamental na vida musical da comunidade. Quem pratica a música sabe que integração é uma palavra de ordem neste meio. Não existe música sem conexões. Acredito que o Mapa Sonoro será um passo importantíssimo no desenvolvimento cultural da nossa região”, afirmou Ian.

Além do objetivo inicial do mapeamento, outro propósito do projeto é produzir podcasts relacionados à música para esse público. O Mapa Sonoro, em parceria com a Battito, empresa dedicada ao desenvolvimento da música, está desenvolvendo 6 episódios de podcasts com lançamento nas plataformas digitais marcado para o mês de junho. O primeiro podcast, chamado “Paisagens Sonoras”, irá falar sobre a relação da música com os ODS, 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável propostos pela ONU em 2015, com metas para 2030. Nele, será relacionada a atividade musical e, possivelmente, as descobertas a partir deste ecossistema com esses ODS, ou seja, como a música pode contribuir para estes objetivos sustentáveis.

PARA PARTICIPAR DO MAPA SONORO:

Acesse e preencha o questionário.