Dr. Vinícius Oliveira, pesquisador da UFMG e morador do Buritis, é um dos fundadores do Registro Brasileiro de Gêmeos (RBG)

Por William Araújo

O Registro Brasileiro de Gêmeos (RBG), incentivado e criado pelos doutores Paulo Ferreira (Doutor em Fisioterapia e Professor pela Universidade de Sydney/Austrália) e Vinícius Oliveira (Pós doutorando em Ciências da Reabilitação pela UFMG/Brasil), vem ocorrendo desde meados de 2014. O intuito do registro é quantificar e estudar gêmeos do Brasil para determinar, com maior assertividade, as causas de doenças lombares e servir, em posteridade, para a prevenção, detecção e tratamento de doenças genéticas, como o Câncer.

Dr. Paulo Ferreira, especialista em dor lombar. Foto: acervo RBG

Dr. Paulo Ferreira, especialista em dor lombar. Foto: acervo RBG

O Dr. Paulo Ferreira, residente na Austrália há seis anos, auxilia o Australian Twins Registry (ATR), Registro Australiano de Gêmeos, que é estudado pela AUTBACK (Australian Twins Low Back Pain), da Universidade de Melbourne, da qual é colaborador.

Esse programa funciona no país desde a década de 70 e consta com mais de 66 mil gêmeos cadastrados.

Percebidos os benefícios que o estudo proporcionou para a Oceania e outros países, que também adotaram a prática (Itália, Alemanha, EUA, Dinamarca, etc.), o doutor decidiu trazer essa experiência para o Brasil.

Pesquisadores da UFMG, como Luci Teixeira-Salmela, Ligia Cisneros e Vinícius Oliveira, apoiaram a ideia e catapultaram o projeto no Brasil. Amparados pelo CAPES e CNPQ, a equipe têm formalizado o cadastro há mais de um ano e meio.

São estudados todos tipos de gêmeos, idênticos (monozigóticos) ou não idênticos (fraternais, dizigóticos), trigêmeos, quadrigêmeos, acima de 18 anos de idade – por enquanto -, com ou sem irmãos falecidos. A pesquisa faz a comparação dos modos de vida que os irmãos tiveram no decorrer do amadurecimento.

“Os resultados são tão inovadores, que mesmo a cultura pode intervir no desenvolvimento das dores lombares”, afirma o Dr. Vinícius de Oliveira.

“São aproximadamente dois milhões de gêmeos no Brasil”

Os gêmeos compartilham entre si, no mínimo, 50% dos genes e isso torna possível identificar com maior clareza em que momento a enfermidade foi estabelecida, por que apareceu e qual o melhor tratamento.

No Brasil, segundo o IBGE, existem em torno de 205 milhões de habitantes. De acordo com as pesquisas dos doutores Paulo e Vinícius, os gêmeos são, em média, 1% da população de cada país. Desse modo, na população brasileira temos cerca de dois milhões de gêmeos.

As doenças lombares são consideradas, no mundo, as que mais incapacitam e geram transtornos e custos diretos e indiretos à população. Perpassam, desde a juventude, até a velhice. Por isso a importância de abordar essa área, diz o Dr. Vinícius.

Contudo, no cadastro do Registro Brasileiro de Gêmeos constam apenas 150 indivíduos que estão participando do primeiro estudo.

O Dr. Vinícius, residente do bairro Buritis, esposo de uma gêmea, conta que é necessária a expansão desse cadastro. A população brasileira é uma das mais miscigenadas no mundo, o que forneceria dados gigantescos ao próprio país e demais nações.

Dr. Vinícius Oliveira e Lucas Calais. Foto: acervo pessoal facebook.

Dr. Vinícius Oliveira e Lucas Calais. Foto: acervo pessoal facebook

Existem associações com pesquisadores do Nordeste, Rio Grande do Sul, São Paulo e o RBG possui um encarregado direto, Lucas Calais, para promover a conexão com a Austrália. Além disso, o Dr. Paulo Ferreira vem sazonalmente ao Brasil, o que ajuda no andamento do estudo.

A Universidade de Melbourne/ AU é responsável pelo programa de estudos das dores lombares em gêmeos australianos, o que ofereceu um rico ambiente para o nascimento do que seria a semente do Registro Brasileiro de Gêmeos (RBG) – informação extraída da página http://www.gemeosbrasil.org/sobre-nos/nossa-historia.

 

Alguns núcleos isolados para reunião de gêmeos auxiliam o RBG, como é o caso dos Vizinhos de Útero (https://www.facebook.com/vizinhosdeutero.irmaosgemeos/), tocado por uma gêmea e que tramita, basicamente, na troca de experiências.

A Austrália mantém uma associação com o cadastro brasileiro, fornecendo e buscando dados para apurar pesquisas. O Japão, ciente que o Brasil abriga a maior população nipônica do mundo, também se associou ao RBG para obter informações referentes aos gêmeos.

“O programa de Registro Brasileiro de Gêmeos, além de ser o primeiro no Brasil, ainda é pioneiro nos países em desenvolvimento, por isso é tão importante”, conta o Dr. Vinícius.

Como se cadastrar

A página do RBG (http://www.gemeosbrasil.org/) oferece a possibilidade de conhecer o projeto e interação entre gêmeos. Atualmente, o cadastro online está em construção, por isso os gêmeos estão sendo registrados de três maneiras: por telefone, e-mail e presencialmente.

O indivíduo que estiver interessado poderá ligar para o telefone (31) 3409-7438 e deixar o seu contato. Em seguida um pesquisador retornará a ligação e pedirá que seja respondido, via telefone, um questionário básico sobre o meio social em que o gêmeo vive, estilo de vida e histórico de saúde.

Outra alternativa é enviar um e-mail para registrobrasileirogemeos@gmail.com informando que se trata de um gêmeo ou familiar, deixar o nome, telefone com DDD. Logo após o envio, o solicitante receberá um questionário em seu e-mail.

O Registro Brasileiro de Gêmeos também tem uma página no facebook (https://www.facebook.com/gemeosbrasil/?fref=ts), o que facilita o acesso dos gêmeos ao cadastro.

O Registro Brasileiro de Gêmeos está situado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), na Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, Departamento de Fisioterapia, 3º andar, Avenida Antônio Carlos, 6627, Pampulha, Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil. CEP: 31270-901.

Por fim, o Dr. Vinícius salientou que o registro serve, não somente, para investigar os fatores de risco de inúmeras enfermidades, mas também para verificar a eficácia de vários tratamentos.