Mesmo com mercado imobiliário expressivo, Buritis conta com diversos prédios inacabados ou abandonados

Por Welleson Mendes e William Araújo

Ao caminhar pelas ruas do Buritis – em locais como a avenida Professor Mário Werneck e ruas adjacentes –, além da grande concentração de prédios, devido à verticalização do bairro, veem-se vários prédios abandonados ou em construção.

Entre 1990 e 2000, o Buritis sofreu expressivo crescimento populacional. Parte desse aumento se deveu à ligação direta do bairro com o centro da cidade. A partir daí, a demanda por imóveis se ampliou, justificando a forte verticalização dos últimos anos.

O curioso é que, nas propostas iniciais de desenvolvimento da região (implementadas pela construtora Convap), a construção de tantos edifícios não estava nos planos das empreiteiras, que viam o lugar como último portal de ocupação familiar da Zona Sul belo-horizontina. Tal molde não se popularizou, e, com o crescimento populacional, aumentou a demanda por condomínios.

O problema da verticalização é que, após altas aplicações – e diante das incertezas do mercado imobiliário –, proprietários e investidores deixaram obras inacabadas pelo bairro, ou as repassaram a outros investidores. Com a burocracia da transferência, as construções permanecem paradas por longos períodos. Algumas estão paradas há mais de 20 anos, a exemplo do prédio localizado na avenida Professor Mário Werneck, na esquina com a rua Maria Heilbuth Surette.

Prédio na esquina da Av. Prof. Mário Werneck com rua Maria Heilbuth Surette

Prédio na esquina da Av. Prof. Mário Werneck com rua Maria Heilbuth Surette

Riscos

Os prédios inacabados, em diversas regiões do bairro, trazem grandes riscos à população. Um dos mais preocupantes diz respeito à estrutura das construções. Com o passar do tempo, sob mudança constante de temperatura, o esqueleto exposto da obra pode se degradar. A iminência de desabamento é grande e põe em risco a vida de quem mora ou trabalha em áreas próximas à obra abandonada.

Ao todo, foram encontradas 21 obras inacabadas em áreas as mais diversas variadas do Buritis. Algumas ruas chegam a abrigar dois prédios “em processo”. No dia 12 de novembro, durante a chuva que caiu sobre Belo Horizonte, um muro desabou na rua Tito Guimarães. O acidente interditou uma área de lazer e um apartamento. Com a chegada das “águas de verão” ao bairro, o risco aumenta. Afinal, estruturas antigas e fracas podem ceder à força dos temporais.

Paulo Gomide, membro da Associação de Moradores do Bairro Buritis, ABB,  há anos alertava sobre o perigo das construções na região. No vídeo abaixo, feito em 2010, ele mostra como estava a situação do muro que, agora, em 2016, desabou.

https://www.youtube.com/watch?v=hzemWpd1mS4&feature=youtu.be

Limpeza e segurança

Depois de muito tempo abandonados, os prédios começam a se encher de detritos em seu interior – e, por vezes, no exterior, com o acúmulo de lixo nas entradas. Além dos animais peçonhentos e dos insetos, atraídos pelo acúmulo de lixo, há o problema da dengue, com a disseminação do Aedes aegypti.

Segundo o último balanço sobre a dengue, realizado no dia 18 de novembro de 2016, pela Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), a região Oeste é a sétima com mais casos de dengue em Belo Horizonte. Entretanto, trata-se da área com maior proliferação de ovos do Aedes. Ao longo do ano, foram 13.852 casos confirmados da enfermidade, apenas na região.

Com as chuvas frequentes em certos períodos do ano, a situação se agrava. Sem limpeza adequada, os prédios se tornam criadouros de mosquitos da dengue. Mesmo que os condôminos vizinhos tomem precauções para evitar a doença, as obras inacabadas hospedam os transmissores e representam um perigo para quem vive próximo.

Em março, a prefeitura autorizou a entrada forçada em alguns prédios do Buritis, para limpeza, a exemplo daqueles que ficam na avenida Professor Mário Werneck, na esquina com rua Maria Heilbuth Surette, e na obra pausada da rua Ernani Agrícola, nº 169. Mesmo com a limpeza, as obras continuam paradas.

Outro problema dos prédios abandonados é o uso inadequado. Alguns prédios, como o da rua Líbero Leone, estão abertos. Tais construções podem ser usadas para atividades ilícitas, e representam mais um perigo para a população.

Foto - Welleson Mendes

Foto – Welleson Mendes

Ruas com prédios abandonados ou em construção há anos

  • Avenida Professor Mario Werneck

  • Rua Líbero Leone

  • Rua Jandiatuba

  • Rua Laura Socres Carneiro

  • Rua Alessandra Salum Cadar

  • Avenida Protássio de Oliveira Pena

  • Rua Professor Miguel de Sousa

  • Rua Maria Heilbuth Surette

  • Rua Ernani Agrícola

  • Rua Stella Hanriot

  • Avenida Aggeo Pio Sobrinho

  • Rua Tereza Mota Valadares

  • Rua Iracy Manata

  • Rua Consul Walter

  • Avenida Deputado Cristovam Chiaradia

  • Rua Moisés Kalil