Major Godinho, comandante da 126ª Companhia, explica quais são as zonas quentes dos bairros Buritis e Estoril e como a polícia está procedendo para coibir a ação dos criminosos.

Por William Araújo

Roubo, sequestro, furto, assalto a mão armada, homicídio, todos são crimes que aumentaram na cidade. No relatório da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), os números para crimes violentos em Belo Horizonte no primeiro bimestre de 2016, em relação com o mesmo período do ano passado, cresceram 38%.

Fonte: Secretaria de Estado de Defesa Social (SEDS)

Fonte: Secretaria de Estado de Defesa Social (SEDS)

Dessa relação, em toda a cidade, o roubo abarca 96% do total de crimes violentos, enquanto tentativas de homicídios e homicídios consumados chegam a 2,65%. Os demais ilícitos são sequestros e estupros – 1,35%. De acordo com o relatório, a taxa de crimes pela quantidade de 100 mil habitantes, para esse bimestre, ultrapassou a 342 atos.

Para crimes como furto, extorsão e lesão corporal, a cidade apresenta a quantidade de 11913 atos cometidos nesse mesmo bimestre. Referente ao ano passado, o aumento também é significativo – 11,67% -, mas ainda não ultrapassou a taxa ocorrida em 2012.

Fonte: Secretaria de Estado de Defesa Social (SEDS)

Fonte: Secretaria de Estado de Defesa Social

Se somados os atos ilícitos ocorridos em Belo Horizonte para o primeiro bimestre de 2016, é possível projetar a média de 341 ocorrências por dia – quatro crimes por minuto. Um aumento de 22% com relação ao mesmo período do ano passado, quando nesses meses, a média de crimes por minuto ficou na taxa de 0,2 (um crime a cada cinco minutos).

Um dos prováveis motivos para o crescimento desse número é a reação do país quanto à crise econômica. Em Belo Horizonte, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, no segundo mês de 2016, houve o acréscimo de aproximadamente 42% no número de desocupados  em comparação com o mesmo mês no ano passado. Também ocorreu a diminuição da quantidade de pessoas economicamente ativas.

Por que o Buritis, Estoril e região são pontos de interesse para o crime?

Em dados atualizados, o Buritis, Estoril e região contêm, em média, 34642 habitantes, sendo mais de 52% do sexo feminino. O poder aquisitivo da região é superior ao da cidade em 191%.

Sete fatores que transformam o Buritis, Estoril e região em uma área de interesse para o crime:

  1. Poder aquisitivo acima da média
  2. População com acúmulos de bens privados
  3. Vias principais que possuem intenso comércio, transeuntes e veículos
  4. Acúmulo de comércio noturno (bares e restaurantes)
  5. Ruas de acesso às avenidas (lotes lindeiros) com pouco fluxo de transeuntes
  6. Região circundada por vários aglomerados: Morro das Pedras, Vila Ventosa, Cabana, Vila Guaratã, Vila Havaí, Vila Leonina, Vila Pilar, Vila Olhos d’Água, Vila Cemig
  7. Proximidade com vias de evasão como as rodovias BR – 040 e BR – 356.

 

Apesar dessas localidades da Regional Oeste atraírem criminosos e possuírem fatores de interesse à criminalidade, não são indicadas no rol de zonas quentes de Belo Horizonte (vide Diagnósticos de Roubos em Belo Horizonte de 2014-2015).

Segundo o Major Godinho, comandante da 126ª Cia, os criminosos que atuam na região são oriundos de outros bairros, regiões e municípios. Além disso, existem as zonas quentes internas, como a rua Lagoa da Prata (no bairro Salgado Filho) e a avenida Professor Mário Werneck (no Buritis e Estoril).

O Major Godinho comenta sobre os horários e locais críticos nos bairros Buritis, Estoril e região.

De acordo com o Major, os momentos críticos da região tramitam entre terça-feira até sexta-feira e nos horários a partir das 18h até 23h – quando as pessoas retornam e saem do serviço. A modalidade de ocorrência policial de maior atividade é o assalto a transeuntes.

O Major Godinho comenta sobre a modalidade de crime mais presente nos bairros Buritis, Estoril e região.

Como combater o crime

A 126ª Companhia pertence ao 5º Batalhão, tem uma área de abrangência a oeste da avenida Raja Gabáglia (Buritis, Havaí, Estoril, Salgado Filho e Ventosa), além da BR-356 – no bairro Olhos d’Água – e atua em cooperação com a 10ª Companhia. A 126ª Cia dispõe de um aparato policial com:

  • Dez viaturas (Pálio Weekend 0km com rádio digital)

  • Seis viaturas antigas

  • Três motocicletas

  • 118 Militares efetivos, divididos entre os três turnos.

Ademais, o trabalho concomitante à 10ª Cia e o 5º Batalhão faz o recobrimento da área com táticos móveis e helicópteros. O Major Godinho comenta que a proximidade com o grupo especializado Pégasus (patrulha aérea) traz à região mais um incremento no combate ao crime.

O helicóptero consegue chegar rapidamente ao local e, uma vez com a luz focada sobre o suspeito, trabalha com um equipamento de identificação térmica que permite encontrar pessoas escondidas dentro de matas e até mesmo imóveis.

Para inibir a ação dos criminosos, a 126ª Cia emprega o patrulhamento a pé, por veículos do Patrulhamento de Atendimento Comunitário (PAC) e, quando essa prevenção falha, conta com operações efetuadas por veículos SUVs (S10 Blazer) – com quatro policiais inteiramente preparados.

A Vila Ventosa, próxima dos bairros Buritis e Estoril, é um local já pacificado, de acordo com o Major Godinho. Lá existe um destacamento do Grupo Especializado em Policiamento de Áreas de Risco, o Gepar, atuando 24h por dia.

Mas isso ainda não é o suficiente. A 126ª Cia faz operações como blitzes a coletivos – para verificar se passageiros portam armas -, a táxis e nas vias de acesso à região. Quando o aparato percebe a entrada de motocicletas com dois ocupantes, intercepta o condutor e faz a vistoria do veículo.

Outra estratégia adotada pela 126ª Cia é a criação de Redes Protegidas, como é o caso das redes de vizinhos e comerciantes protegidos. Eles se comunicam por meio da rede social Whatsapp, informando sobre suspeitos e pedindo patrulhamento nas ruas do bairro.

Algumas redes ainda serão acrescentadas, como cita o Major Godinho sobre a Rede de Universitários Protegidos e Rede de Concessionárias Protegidas.

O Major Godinho comenta sobre as redes protegidas dos bairros Buritis, Estoril e região.

Contudo, o Major frisa que o primeiro contato com a PM deve ser feito pelo número 190.

Contato da 126ª – (31) 3378-1332

O Major Godinho explica porque os bairros Buritis, Estoril e região não entraram para estatísticas de zonas quentes de Belo Horizonte.

 

Fontes de pesquisa: